Pela primeira vez, tive a oportunidade de assistir A Outra em cena. O grupo fez um ensaio/apresentação de sua montagem de Arlequim, servidor de dois amos, de Goldoni. Em princípio, a apresentação seria no Campo Grande. No entanto, como o palco principal do Vila Velha estava disponível, fizeram lá mesmo. Foi muito bom ver os meninos atuando, num jogo muito divertido, tipos bem construídos, com especial desenvoltura da dupla Juninho e Manu. Ver o grupo trabalhando sob uma chave da comédia popular foi bem importante para visualizar possibilidades para a nossa leitura, uma vez que o resto do elenco, dos atores dos Clowns, já conheço muito bem.
Além de mim, alguns outros convidados do grupo também assistiram o ensaio, entre eles o Rodrigo Bico, integrante do grupo Facetas, Mutretas e Outras Histórias, grandes parceiros nossos de Natal, que está por aqui para a Bienal da UNE.
Em seguida, tivemos ainda uns quarenta minutos de trabalho, nos quais conseguimos adiantar um pouco do trabalho de leitura e análise do Trabalhos, e breves comentários sobre o Arlequim. Também encomendei outro workshop pros atores, desta vez em duplas, para o trabalho de amanhã.
Foi um dia de trabalho de poucas atividades, mas muito importante para o desenrolar do projeto, e de um grande passo na aproximação entre os grupos, já que quase todo o elenco pôde assistir os dois espetáculos que trouxemos para o FILTE no ano passado.
E o tempo começa a correr!!!
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
domingo, 18 de janeiro de 2009
Esquentando!
Mandando ver em plenas tardes de sábado e domingo de verão, chegamos ao final do primeiro terço dessa etapa de trabalho: três dos nove dias de investigação se foram.
Depois de todas as dificuldades e sustos que a peça nos apresentou no primeiro dia, começamos a entender e mergulhar no universo de Trabalhos de Amor Perdidos. Ontem, além de propor uma dinâmica corporal para não ficarmos escravizados exclusivamente à "bunda na cadeira" - o nosso já tradicional vilão, jogo que tanto fazemos nos Clowns e que tem propiciado uma boa prontidão para o jogo para nós -, também começamos a aprofundar a análise do texto, dividindo em movimentos, experimentando algumas primeiras imagens, dissecando as falas mais significativas, enfim, como o Luiz relatou no último post, vamos perdendo o medo e ganhando proximidade ao texto.
Hoje tivemos um começo mais suave, devido ao banzo tradicional de domingão à tarde, mas muito rapidamente a coisa engrenou. E tivemos a chegada da querida Indaiá, que não pôde estar conosco nos primeiros dois dias. Depois de um jogo que o Ernani nos apresentou, com uma sequência de passos, palmas e contagem, fizemos uma rápida sessão de vilão, só para não perder o costume. O jogo já começa a acontecer de forma mais interessante, e amanhã começaremos a trabalhar variações.
Em seguida, os atores apresentaram os workshops que "encomendei" ontem, cada um com uma fala de alguma cena dos primeiros dois atos, definida por mim. O desafio proposto foi que, uma vez que já tínhamos ultrapassado a etapa de reconhecimento do texto, e que a leitura, mesmo que ainda um tanto seca, já começava a ganhar fluência, que nesse exercício nos propuséssemos a, nesses fragmentos, avançar no aprofundamento da compreensão, e começar a saborear as palavras - como diria o João Marcelino, como se fosse uma fruta da sua predileção. O resultado foi muito bom. Os trabalhos trazidos pelos meninos foi muito interessante, e a partir do que eles ofereceram, pude aprofundar algumas questões, e até mesmo propor algumas brincadeiras e experiências, já visando a leitura, e principalmente quebrando a redoma de "adoração museológica" que tanto mal faz ao pobre bardo...
Além de todos esses avanços, não restam dúvidas que a conquista gradual da intimidade entre nós é outro grande ganho. Começamos a conhecer como o outro trabalha, construir uma gramática e uma dinâmica comuns. Ando muito ansioso em ver março chegar logo, para ter meus queridos companheiros de grupo misturados com os "Outros". Dirigir esse elenco misto, cheio de possibilidades, de características diferentes, será uma experiência muito rica. Por conhecer tão bem como os atores dos Clowns trabalham, já consigo vislumbrar facilidades e dificuldades, jogos interessantes que poderão surgir nesse encontro.
E nesta segunda teremos um ensaio/apresentação d'O Arlequim, a meu pedido, para que eu possa ver os atores em cena, coisa que nunca vi. Será em pleno Campo Grande, uma experiência interessante, sem dúvida...
E a conexão segue conectando... Como diria nosso queridíssimo Eduardo e sua trupe, é preciso ter coragem!
Depois de todas as dificuldades e sustos que a peça nos apresentou no primeiro dia, começamos a entender e mergulhar no universo de Trabalhos de Amor Perdidos. Ontem, além de propor uma dinâmica corporal para não ficarmos escravizados exclusivamente à "bunda na cadeira" - o nosso já tradicional vilão, jogo que tanto fazemos nos Clowns e que tem propiciado uma boa prontidão para o jogo para nós -, também começamos a aprofundar a análise do texto, dividindo em movimentos, experimentando algumas primeiras imagens, dissecando as falas mais significativas, enfim, como o Luiz relatou no último post, vamos perdendo o medo e ganhando proximidade ao texto.
Hoje tivemos um começo mais suave, devido ao banzo tradicional de domingão à tarde, mas muito rapidamente a coisa engrenou. E tivemos a chegada da querida Indaiá, que não pôde estar conosco nos primeiros dois dias. Depois de um jogo que o Ernani nos apresentou, com uma sequência de passos, palmas e contagem, fizemos uma rápida sessão de vilão, só para não perder o costume. O jogo já começa a acontecer de forma mais interessante, e amanhã começaremos a trabalhar variações.
Em seguida, os atores apresentaram os workshops que "encomendei" ontem, cada um com uma fala de alguma cena dos primeiros dois atos, definida por mim. O desafio proposto foi que, uma vez que já tínhamos ultrapassado a etapa de reconhecimento do texto, e que a leitura, mesmo que ainda um tanto seca, já começava a ganhar fluência, que nesse exercício nos propuséssemos a, nesses fragmentos, avançar no aprofundamento da compreensão, e começar a saborear as palavras - como diria o João Marcelino, como se fosse uma fruta da sua predileção. O resultado foi muito bom. Os trabalhos trazidos pelos meninos foi muito interessante, e a partir do que eles ofereceram, pude aprofundar algumas questões, e até mesmo propor algumas brincadeiras e experiências, já visando a leitura, e principalmente quebrando a redoma de "adoração museológica" que tanto mal faz ao pobre bardo...
Além de todos esses avanços, não restam dúvidas que a conquista gradual da intimidade entre nós é outro grande ganho. Começamos a conhecer como o outro trabalha, construir uma gramática e uma dinâmica comuns. Ando muito ansioso em ver março chegar logo, para ter meus queridos companheiros de grupo misturados com os "Outros". Dirigir esse elenco misto, cheio de possibilidades, de características diferentes, será uma experiência muito rica. Por conhecer tão bem como os atores dos Clowns trabalham, já consigo vislumbrar facilidades e dificuldades, jogos interessantes que poderão surgir nesse encontro.
E nesta segunda teremos um ensaio/apresentação d'O Arlequim, a meu pedido, para que eu possa ver os atores em cena, coisa que nunca vi. Será em pleno Campo Grande, uma experiência interessante, sem dúvida...
E a conexão segue conectando... Como diria nosso queridíssimo Eduardo e sua trupe, é preciso ter coragem!
Há três dias iniciamos os trabalhos com o "Trabalhos de Amor Perdidos". Nesse período, muitas descobertas, dificuldades e afinidades com a peça.
Começamos lendo uma tradução de Beatriz Viégas-Faria, uma versão em prosa do texto originalmente em verso. Com palavras bem difíceis que dão nó na língua durante a leitura e vários nós da cabeça quando nos concentramos em entender tudo o que é dito nos diálogos ou nos solilóquios.
Em seguida pegamos a tradução da Aimara da Cunha Resende, que fazendo jus a obra original, traz toda a peça em versos, o que no primeiro contato dá uma "ziguezeira retada". É uma musiquinha chata que martela o juízo na leitura, e que confundi tudo por conta da métrica... nossa, muito chata a primeira impressão! No entanto, seguindo na leitura, aos poucos as imagens pareciam que ficavam mais claras com o texto versado - que contradição tola!
E hoje após o terceiro encontro, percebo que a versão da Aimara é bem clara ao traduzir algumas imagens, ela encurta replicas que a Beatriz, embora traga uma tradução mais literal, distancia o leitor do sentido real na fala.
Tem sido um trabalho cheio de descobertas. É incrível como a repetição não só esclarece como revela uma série de possibilidades pra a interpretação da personagem. É perceptível o avanço que demos no tratamento com o texto. Antes gaguejavamos a primeiro palavra estranha, agora seguimos em frente não mais tendo medo de errar... aprendemos a assumir o erro, a palavra em outra língua, o termo pouco ouvido, o tratamento rebuscado das relações.
Que venha mais! Depois de fazermos uma primeira leitura coletivamente, agora estamos decupando o texto em sub-cenas, dando títulos a cada uma delas e construindo fotografias de cada parte - assim aprofundamos nosso estudo nos movimentos propostos inicialmente pelo texto, entendo o desenvolvimento da ação da peça.
Amanhã tem mais! Vamo simbora!!! E amanhã ainda tem apresentação de Arlequim na rua! Que outras janelas se abram a partir dessa apresentação, de modo a revelar outros sentidos e jogos para a leitura encenada que acontecerá lá em março!
Começamos lendo uma tradução de Beatriz Viégas-Faria, uma versão em prosa do texto originalmente em verso. Com palavras bem difíceis que dão nó na língua durante a leitura e vários nós da cabeça quando nos concentramos em entender tudo o que é dito nos diálogos ou nos solilóquios.
Em seguida pegamos a tradução da Aimara da Cunha Resende, que fazendo jus a obra original, traz toda a peça em versos, o que no primeiro contato dá uma "ziguezeira retada". É uma musiquinha chata que martela o juízo na leitura, e que confundi tudo por conta da métrica... nossa, muito chata a primeira impressão! No entanto, seguindo na leitura, aos poucos as imagens pareciam que ficavam mais claras com o texto versado - que contradição tola!
E hoje após o terceiro encontro, percebo que a versão da Aimara é bem clara ao traduzir algumas imagens, ela encurta replicas que a Beatriz, embora traga uma tradução mais literal, distancia o leitor do sentido real na fala.
Tem sido um trabalho cheio de descobertas. É incrível como a repetição não só esclarece como revela uma série de possibilidades pra a interpretação da personagem. É perceptível o avanço que demos no tratamento com o texto. Antes gaguejavamos a primeiro palavra estranha, agora seguimos em frente não mais tendo medo de errar... aprendemos a assumir o erro, a palavra em outra língua, o termo pouco ouvido, o tratamento rebuscado das relações.
Que venha mais! Depois de fazermos uma primeira leitura coletivamente, agora estamos decupando o texto em sub-cenas, dando títulos a cada uma delas e construindo fotografias de cada parte - assim aprofundamos nosso estudo nos movimentos propostos inicialmente pelo texto, entendo o desenvolvimento da ação da peça.
Amanhã tem mais! Vamo simbora!!! E amanhã ainda tem apresentação de Arlequim na rua! Que outras janelas se abram a partir dessa apresentação, de modo a revelar outros sentidos e jogos para a leitura encenada que acontecerá lá em março!
sábado, 17 de janeiro de 2009
primeiro encontro
Ontem, sentados a um conjunto de mesas unidas pra se fazer uma grande mesa onde todos pudéssemos ficar juntos, iniciamos os trabalhos com o "Trabalhos de Amor Perdidos" do Shakespeare... um pouco ainda perdidos... ainda nos encontrando pra melhor dizer!
Ainda pela tarde, nos reunimos: Eu, Yamamoto e Vinicio pra discutirmos um pouco mais sobre o projeto. As ações, as propostas, os rumos destes encontros pra trabalhar a leitura que em breve ganhará além de voz, corpo, tônus e muito jogo!
Teatro Vila Velha, Clowns, A Outra... Natal, Bahia, Nordeste... e no meio de tudo isso Shakespeare! Leitura, Análise, Adaptação, Discussão, Desconstrução... e por aí espero que caminhemos rumo ao encontro de um Shakespeare popular, universal e poético.
Simbora, que ontem o primeiro encontro aconteceu com muitas risadas, palavras estranhas e gagueijos...
Ainda pela tarde, nos reunimos: Eu, Yamamoto e Vinicio pra discutirmos um pouco mais sobre o projeto. As ações, as propostas, os rumos destes encontros pra trabalhar a leitura que em breve ganhará além de voz, corpo, tônus e muito jogo!
Teatro Vila Velha, Clowns, A Outra... Natal, Bahia, Nordeste... e no meio de tudo isso Shakespeare! Leitura, Análise, Adaptação, Discussão, Desconstrução... e por aí espero que caminhemos rumo ao encontro de um Shakespeare popular, universal e poético.
Simbora, que ontem o primeiro encontro aconteceu com muitas risadas, palavras estranhas e gagueijos...
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Reconhecimento de terreno
E hoje, começamos o trabalho. Tivemos uma primeira sessão de leitura do texto, reconhecendo o terreno, e discutindo minimamente as questões mais estruturais da dramaturgia.
O texto, além de muito saboroso, é também cheio de armadilhas. Se o jogo não for muito vivo, e a leitura muito precisa, torna-se enfadonho, como em muitos momentos essa primeira leitura foi. No entanto, quando ganha vida, é fantástico! Acredito que nesse período que teremos para trabalhar, tanto agora, em janeiro, continuando com os trabalhos nas duas cidades em fevereiro e, por fim, a imersão de março, conseguiremos conquistar esse jogo.
Com todas as dificuldades e cansaço de final de semana pros meninos, foi muito bom esse primeiro contato. Reencontrar os amigos da Outra, e ter a oportunidade de, finalmente, realizar um projeto juntos, estarmos compartilhando a sala de trabalho juntos, investigando o texto, discutindo questões teatrais, realmente intercambiando.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Merda!
Após muitos contatos, ajustes, acertos e arranjos, finalmente aporto em Salvador para dar início ao projeto Conexão Shakespeare-Nordeste, um projeto de residência com artistas do Ponto de Cultura Teatro Vila Velha, viabilizado pelo Prêmio Interações Estéticas da Funarte.
Apesar do edital da Funarte ser destinado a inscrições de pessoas físicas, nosso projeto foi elaborado a várias mãos, tanto por mim, quanto pelo restante dos Clowns de Shakespeare - para quem não conhece, grupo do qual faço parte e sou um dos fundadores, sediado em Natal e existente há 15 anos - quanto pelos artistas do Vila, em especial os integrantes d'A Outra Cia. de Teatro, grupo que terá uma participação mais efetiva neste projeto.
Nossa história com A Outra surgiu em agosto de 2007, quando fomos convidados para participar do projeto Troca-troca no Nordeste com A Outra Companhia de Teatro, um projeto viabilizado pelo Programa BNB de Cultura, que trouxe a Salvador representantes de grupos de teatro e dança de todos os estados do Nordeste para uma semana de várias atividades. Eu vim como representante dos Clowns, participando de mesa-redonda, ministrando oficina para iniciantes, participando de uma oficina de leitura de Shakespeare ministrada por Harildo Deda (grande figura), o que aproximou as nossas experiências e apontou para um desejo de futuras realizações conjuntas. Em tempo, essa semana em Salvador também contou com a participação de Fernando Arthur, da Cia. Penedense de Teatro (AL).
No ano seguinte, 2008, voltamos a Salvador para o FILTE - Festival Latino-Americano de Teatro da Bahia, um evento absolutamente fantástico, realizado pelo Oco Teatro, um grupo muito querido de Lauro de Freitas (cidade da Grande Salvador), que foi um dos melhores momentos do ano para nós. Nesta semana por aqui, aproximamos a relação ainda mais com A Outra, e pensamos que a ocasião do Prêmio Interações Estéticas era o momento para efetivar essa troca mais intensiva, como sempre quisemos. Levantamos o esboço do projeto por e-mails e, quando voltamos à Bahia, cerca de um mês depois, para participar do I Fenatifs - Festival Infantil de Teatro de Feira de Santana, promovido pelo Cuca Teatro, passamos rapidamente por Salvador para fechar o projeto e, a partir de então, torcer! E não é que fomos contemplados!?
Agora, chego por aqui, esperando as comemorações da lavagem da Escadaria do Bonfim passarem - e Salvador voltar a funcionar (rsrs) - para darmos início ao trabalho, nesta sexta-feira!
O projeto terá oficinas, intercâmbios, um seminário sobre Shakespeare/Nordeste e, como carro-chefe, o desenvolvimento de uma leitura dramática em conjunto entre os dois grupos (Clowns e Outra), de Trabalhos de Amor Perdidos, comédia do velho bardo. As atividades vão até março, quando fazemos esse seminário, que será encerrado com a apresentação da leitura.
Enfim, é muito trabalho, e muita empolgação para começar logo! Desejo que o projeto proporcione trocas muito ricas, e que, aos poucos, todos possam movimentar diariamente este espaço - demais integrantes dos grupos, artistas do Vila, alunos das oficinas, etc. -, para fazer desta ferramenta um importante registro desta troca entre os grupos, artistas e demais interessados em teatro de Salvador.
Para abrir nossos trabalhos com muita inspiração, deixo a fantástica vista da janela do meu apartamento de hotel. Merda pra nós!
Links úteis:
- Grupo de Teatro Clowns de Shakespeare
- Teatro Vila Velha
- Blog do Teatro Vila Velha
- Prêmio Interações Estéticas
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